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Da chegada ao Haiti

6 de janeiro de 2010

Após passar dois dias em Santo Domingo, capital da República Dominicana, pegamos um ônibus em direção a Porto Príncipe, capital do Haiti, ou Ayiti, na língua crioula – motivo de grande orgulho aos haitianos.

Já no terminal da “Caribe Tours”, em Santo Domingo, uma coisa curiosa: todas as instruções aos passageiros – em sua esmagadora maioria negros – são passadas em duas línguas, espanhol e crioulo.

Vale lembrar que há centenas de milhares de haitianos trabalhando na República Dominicana, e como viajamos em período de festas, o trânsito entre ambos os países se intensifica. Vale lembrar também que a Caribe Tours não é a opção de viagem da maioria dos haitianos que vivem e trabalham na República Dominicana.

Na maior parte do tempo, a paisagem em movimento ao redor de nosso ônibus não mostrava mais que plantações de banana, cana-de-açúcar e milhares de hectares de terras improdutivas.

Uma mudança brusca no visual se deu a partir do momento em que cruzamos a fronteira República Dominicana – Haiti, não muito mais do que duas casinhas, rodeadas por altas montanhas e divididas por um alto portão, resguardado por alguns militares e com um trânsito razoável de pessoas para um dia chuvoso.

A entrada do Haiti nos mostrou uma paisagem bastante diferente. A estreita estrada, composta em parte de terra, em parte de pedregulhos, é margeada de um lado por um imenso lago, que facilmente pode ser confundido com o mar, de outro por imensas formações rochosas (me perdoem os geólogos) de 40 a 60 metros de altura, de onde os haitianos extraem terra para manterem e expandirem a construção de casas.

Pessoas minúsculas trabalham sem cessar no interior de enormes crateras feitas nessas rochas. Os acidentes e desabamentos acontecem com certa frequência, matando dezenas de trabalhadores – que logo são substituídos por parte da crescente população sem emprego.

A terra, no Haiti, substitui o cimento, já que a pouca indústria de cimento aqui foi privatizada e destruída na década de 90, devido também ao longo embargo internacional sofrido pelo país nos últimos anos. As montanhas parecem sangrar, pois a erosão é comum, devido à devastação da vegetação para a produção de carvão vegetal, este responsável em grande  medida pela energia consumida no país.

Pequenos vilarejos, plantações de cana e banana ocuparam o resto de nossas últimas duas horas de viagem, pelo menos foi o que pude perceber enquanto permaneci acordado (risos).

Chegamos a Porto Príncipe. A miséria é visível, mas o povo é muito receptivo. Logo ficamos bastante amigos de dois haitianos que cuidam da casa onde estamos hospedados – um deles acabou se mostrando um ótimo “pwofèse kreyòl” (desta vez, me perdoem os haitianos).

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Apesar da demora para ativarmos o blog, devido principalmente a problemas de acesso à internet e à confusão dos primeiros dias, a ideia é que daqui em diante possamos alimentá-lo com frequência.

Otávio (“Pi Piti”)

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